Aumente Suas Chances Contra O Que Ameaça A Sobrevivência Dos Negócios – Parte I

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Aumente suas chances contra o que ameaça a sobrevivência dos negócios – Parte I

Nesse exato momento, um acontecimento improvável e imprevisível ameaça a sobrevivência dos nossos negócios. Um evento único na história mundial coloca em xeque a economia dos países, das empresas e o emprego de milhões de pessoas em todos os cantos do planeta. Com a constatação por parte da Organização Mundial da Saúde que o mundo vivia uma pandemia de Covid-19 em 11/03/2020 (https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,oms-declara-pandemia-de-novo-coronavirus-mais-de-118-mil-casos-foram-registrados,70003228725), reconhecendo que o coronavírus 2019-nCoV já havia se espalhado por todos os continentes afetando 118 mil pessoas na ocasião em 114 países, com 4.291 mortes (hoje, 12 dias depois, já são 378.392 casos e 16.490 mortes), líderes políticos começaram a adotar uma série de medidas, desencontradas, para conter o avanço da doença. Sem um consenso sobre a gravidade da situação e sem parâmetros de comparação, cada país adotou medidas muito diversas. Elas variaram do “deixa passar” até o chamado “lock down” completo, com fechamento de estabelecimentos não essenciais.

Com o tempo formou-se um consenso que os sistemas de saúde não estão preparados para lidar com os casos mais graves da doença. Quase todas as nações passaram a adotar medidas mais restritivas, com o inevitável impacto na economia. A previsão de caos nos hospitais pesou na balança na queda de braço com as consequências econômicas desse acontecimento nos negócios e empregos.

Cisnes negros

A grande lição que esse episódio nos traz é a necessidade de avaliarmos o quanto estamos preparados para os “cisnes negros”. No seu livro “A Lógica Do Cisne Negro: O Impacto Do Altamente Improvável” (disponível na Amazon), Nassim Nicholas Taleb traz para a economia reflexões iniciadas por David Hume no século XVIII, que se seguiram à descoberta, na Austrália, de uma espécie de cisne negro que punha por terra a crença, até então vigente, de que “todos os cisnes são brancos”. Hume usava isso como metáfora para provar a fragilidade do nosso processo de raciocínio indutivo. Nunca podemos afirmar que conhecemos todas as variáveis que poderiam ter impacto significativo no problema proposto. Taleb aproveita essa premissa para explicar por que eventos de baixa probabilidade causam tanto estrago.

O mais novo cisne negro

Eis que o mundo agora está diante de mais um cisne negro. Assim como foram cisnes negros os ataques às torres gêmeas, a quebra do Lehman Brothers, a greve dos caminhoneiros. Não faltam profetas para dizer que tais eventos já haviam sido previstos (alguns até apelam para Nostradamus). Mas o fato é que cada acontecimento desses pegou o mundo desprevenido, e também trouxe ameaç à sobrevivência dos negócios. No caso da Covid-19, os primeiros casos foram relatados em 29/12/2019, menos de três meses atrás, portanto! Um tempo muito curto para uma análise realmente aprofundada com o auxílio de modelos. Não há, realmente, nenhum modelo disponível para uma parada desse vulto na economia global por uma, duas ou quatro semanas. Nem mesmo para um dia sequer.

Não há modelos porque não há precedentes disso. A gripe espanhola infectou um quarto da população mundial e tinha uma taxa de letalidade de até 10% dos infectados. Porém o mundo era totalmente diferente. Não havia viagens aéreas intercontinentais e nem possibilidade se trabalhar em casa. A gripe A, de 2.009, foi estimada ter infectado um quinto da população mundial. Mas com uma taxa de letalidade de apenas 0,04%.

Aumentando suas chances contra os cisnes negros

Mas, se por definição, cisnes negros como a Covid-19 são imprevisíveis, não há nada a ser feito, correto? Errado. Muitos de nós já nos precavemos contra cisnes negros na nossa vida cotidiana. Contratamos seguros de carro, residência, de vida e planos de saúde. Muito embora haja estatísticas sobre a ocorrência de eventos negativos nessas áreas seguradas, nós nunca sabemos quando isso vai acontecer. E por isso mesmo aceitamos pagar um prêmio significativo para ao menos mitigar os efeitos de acontecimentos infelizes. Mas como esses prêmios são normalmente calculados com base nessas estatísticas, acontecimentos como uma pandemia de uma doença descoberta dois meses antes necessitariam de um prêmio infinito. No entanto, ainda assim há muito que pode ser feito.

Um evento como o fechamento de empresas e a restrição de circulação de pessoas não inviabiliza a oferta de um valor para a sociedade, nem o cumprimento da missão e da visão de uma empresa, mas impacta o modelo sobre a qual aquele negócio está montado. Nas nossas mentorias sempre incentivamos nossos clientes a constantemente repensarem seus modelos de negócio e analisar a viabilidade de pequenas modificações, normalmente pensando em expansão, mas com um raciocínio que também poderia ser usado para uma correção de rota e também para adaptações emergenciais, como as causadas por cisnes negros. Acompanhe em nosso próximo artigo que vamos mostrar como ensaiar pequenas mudanças no modelo de negócio para aumentar suas chances de sobreviver a cenários de crise inesperados.

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